








Caracterização do Concelho da Lousã
Caracterização Física
Ocupando quase um terço do município, a Serra da Lousã marca a extremidade sudoeste do mais importante bloco montanhoso do país, a cordilheira central. Com uma orientação rigidamente marcada de nordeste para sudoeste, a serra da Lousã destaca-se pela forma brusca como se eleva, apresentando fortes declives, que vão desde cerca dos 200 metros, elevando-se até ao seu ponto mais alto, o Trevim, a uma altitude de 1204 metros.
Em contraste marcado com a serra surge a bacia da Lousã, sendo a mais importante depressão que flanqueia o maciço central que se prolonga, no seu bloco noroeste, da Serra da Lousã até à Serra da Estrela e é marcado por um desnível acentuado, cerca de 700 metros, que distingue a separação entre a serra e a bacia. No seu interior, com altitudes situadas entre os 100 e os 190 metros, encontramos solos aluviais e terraços fluviais, completados por colinas sedimentares, mais elevadas e relacionadas com o Rio Ceira.
Caracterização Geológica
A sul do município encontra-se a Serra da Lousã, uma unidade litológica com uma mancha bastante contínua, composta por um substrato de xistos e grauvaques ante-ordovícicos, também conhecidos por complexo xisto-grauváquico, pouco metamorfizados, muitas vezes já alterados e frequentemente atravessados por filões de quartzo com várias direcções e cuja espessura é também variável, apresentando-se muitas vezes escavados vigorosamente pelas linhas de água.
No que diz respeito à bacia topográfica da Lousã, esta é constituída essencialmente por um conjunto de unidades litológicas, separadas por descontinuidades de valor regional, assistindo-se ao seu enchimento no decorrer do cretácico inferior. Assim, inicia-se pelo grés do Buçaco, assentando, sobre este, as areias do buçaqueiro e, por último, um conjunto que se encontra sobretudo no cimo das colinas do buçaqueiro conhecida por formação superior de fácies raña, formações com predomínio de blocos de quartzito, ou blocos de granito, xisto e grés.
Em termos tectónicos, o município da Lousã encontra-se afectado por um conjunto de falhas, destacando-se fundamentalmente o acidente da Lousã - Góis, com orientação ENE, que delimita pelo lado sul a bacia da Lousã e que faz parte do acidente maior, a falha da Nazaré. Existem ainda outras falhas de acrescida importância, localizadas a sul das quais se destacam as falhas da cebola e de boga, responsáveis pela delimitação a norte e sul do fosso do Zêzere, respectivamente.
Caracterização climática
Em termos gerais o Município da Lousã e a sua diversidade de paisagens encontram no clima características comuns, extensíveis a todo o território e região. Deste modo a Lousã, à semelhança de todo o centro litoral, apresenta um clima de características marcadamente mediterrâneas, com os Verões quentes (20º-22º), e os Invernos suaves (9º-11º), apresentando temperaturas médias anuais com oscilações na ordem dos 15º-16º.
As chuvas registam-se com maior frequência no decorrer dos meses correspondentes ao Outono, Inverno e princípios da Primavera. Todavia os seus valores são fortemente influenciados pela altitude podendo situar-se, em termos médios, entre os 1000 e os 1800 mm anuais. De destacar que a presença de um relevo imponente, como é a Serra da Lousã, influi significativamente nas condições climáticas junto à Bacia da Lousã, onde se encontra a sede de Município.
Dos restantes elementos climáticos, destaque para o vento com rumos predominantes de este, sudoeste e oeste durante todo o ano médio. No Outono e no Inverno predomina o rumo de este enquanto nos meses de Maio a Setembro foram os de sudoeste e oeste a predominar.
Pela posição que esta área ocupa relativamente ao litoral e tendo em conta a linha de relevo que ocupa o extremo Sul do Município, são frequentes a formação de nevoeiros, essencialmente nos pontos altos da serra, bem como a presença de valores de humidade relativamente elevados, nomeadamente valores médios anuais compreendidos entres os 70 e os 75% de humidade no ar. A presença do Rio Ceira e da sua planície aluvial, fortemente ocupada pela vegetação regista valores mais elevados de humidade que se situam perto dos 80%.
Caracterização do solo
Quanto ao coberto vegetal, que constitui a grande mancha florestal que cobre o município, este traduz uma influência tipicamente mediterrânea e encontra-se em vertentes de baixa altitude, abrigadas e com exposição predominantemente ao quadrante sul. Espécies características como o carvalho português, sobreiro, medronheiro e plantas aromáticas, são as predominantes. Em complemento a estas espécies e traduzindo, embora de forma menos vincada, algumas características, também elas mediterrâneas, surgem ao lado de outras, espécies introduzidas pelo homem, como o pinheiro bravo, que ocupa uma área significativa do coberto florestal do município, embora de uma forma mais consistente na encosta norte da serra da Lousã e nas colinas situadas a oeste. Mais recentemente, o eucalipto, uma espécie que surge disseminado um pouco por todo o lado, registando-se, no entanto, as maiores manchas na zona norte do município, como consequência de áreas que foram mais assoladas pelos incêndios florestais e que se encontram, regra geral, relacionados com os solos pobres, arenosos ou argilosos, resultantes ou não da alteração dos xistos, traduzindo-se em solos pouco espessos, quase sempre pouco evoluídos, que dominam a maioria dos solos deste município.
No que diz respeito à ocupação agrícola, em toda a parte baixa da Lousã, nos solos férteis correspondentes à bacia da Lousã, predominam áreas de policultura intensiva, expressas nas manchas de regadio e horta localizadas nos planos aluviais das linhas de água e na agricultura de sequeiro, associadas quase sempre a olivais ou pomares, localizadas nas áreas mais afastadas das linhas de águas ou nas colinas sobranceiras da bacia. Encontram-se também, com frequência regular, pomares dispersos, quer nas bordaduras dos campos ou mesmo no seu interior, quer, nos quintais contíguos às habitações. Relativamente às zonas urbanas, de infra-estruturas e equipamentos de ocupação marcadamente antrópica, estas surgem com particular destaque concentradas junto da sede do município, onde se registam as maiores actividades económicas, seguidas das sedes de freguesia.
Caracterização Demográfica, Social e Económica
Em termos de população residente interessa realçar que, no período 1991/2001, o município da Lousã registou um crescimento de 18%, cotando-se como o município que assinalou maior crescimento, quer no Pinhal Interior Norte, quer na Região Centro. Não obstante o crescimento da população em algumas freguesias, foi a sede de município, que polarizou todo o crescimento do município e que originou o resultado alcançado. Idêntica realidade se encontra ao nível da densidade populacional, onde se verifica que a pressão demográfica se concentra somente na sede de município e aglomerados envolventes, melhor servidos em termos de equipamentos e acessibilidades em relação à restante área concelhia. Também o número de famílias, com repercussão directa no aumento da população residente, aumentou, em idêntica proporção para a sede de município e demais freguesias. Embora o município da Lousã apresente um índice de envelhecimento acima do valor nacional, esta tendência reflecte, sobretudo, as dinâmicas demográficas evidenciadas nas últimas décadas, reforçadas pelo aumento de uma maior esperança de vida em território nacional. Contudo, os resultados demonstrados no último recenseamento (Censos 2001) evidenciam uma perspectiva de renovação, expressa não só pelo aumento de população nos grupos etários mais novos, apoiados no reforço de casais jovens que se deslocaram para o município, mas também, no registo de um ligeiro aumento dos grupos etários até aos 4 anos.
É possível, também, observar a evolução que cada um dos sectores de actividade tem vindo a registar no Município, ao longo dos últimos 50 anos. No que respeita à distribuição da população por sectores de actividade, de realçar, a importância do sector dos serviços que surge no município da Lousã com valores superiores a 60% e por outro lado, o reduzido peso do sector primário na economia do município, uma vez que emprega somente 2% da população activa. Quanto ao sector secundário, referente à indústria em geral, esta apresenta resultados próximos dos 40%, valor que se pode considerar significativo num município com as características da Lousã. Todavia, este sector tem vindo a diminuir o seu peso económico, denunciando um decréscimo da actividade industrial, não obstante o aumento das áreas industriais no Município.
Com um total de 94,51 hectares de áreas destinadas à actividade industrial consagrados no actual Plano Director Municipal em vigor, divididos por quatro grandes áreas, sendo uma delas de reserva de solos industriais, actualmente sem ocupação.
Assim, o Município da Lousã apresenta um leque variado de indústrias. As áreas actualmente ocupadas são a Zona Industrial do Padrão - com espaço próprio delimitado - e as Zonas Industriais dos Matinhos e da Fábrica de Papel do Prado, inseridas no espaço urbano da Lousã. A quarta zona industrial, a Zona Industrial de Foz de Arouce corresponde a uma área de reserva prevista no actual PDM em vigor e que até à presente data não tem ocupação. Relativamente à Zona Industrial do Alto Padrão, situada no Alto do Padrão, representa a maior área de ocupação industrial prevista em PDM, com cerca de 41 hectares e integra cerca de 50 lotes, devidamente infra-estruturada e que, actualmente, se encontra próxima da sua capacidade máxima. Do universo de empresas sediadas nesta zona industrial realce para a armazenagem industrial de produtos, para as indústrias ligadas ao sector florestal e aos produtos florestais. Há a destacar ainda algumas empresas de indústria têxtil, higiene e limpeza e sector automóvel. Esta zona industrial é servida por um nó da variante à EN342 que assegura uma ligação ao IP1.
FAUNA E FLORA
Rede Natura
A serra da Lousã pela variedade e extrema riqueza da sua fauna e flora, insere-se na Rede Natura, uma rede europeia de sítios protegidos que assegura a biodiversidade, conservando e restabelecendo habitats naturais, plantas e animais selvagens de forma a manter as características típicas dos locais.
Reserva Ecológica Nacional
Inclui-se ainda na Reserva Ecológica Nacional, uma estrutura biofísica básica e diversificada que, através do condicionamento à utilização de áreas com características ecológicas específicas, garante a protecção de ecossistemas e a permanência e intensificação dos processos biológicos indispensáveis ao enquadramento equilibrado das actividades humanas.
Flora
Vegetação endógena: coberto vegetal tipicamente mediterrâneo (carvalho português, sobreiro, medronheiro e plantas odoríferas).
Vegetação introduzida pelo Homem: pinheiro bravo, pinheiro silvestre, pinheiro negro, acácia, mimosa, cedro do Buçaco, abetos, cedros do Atlas, eucalipto e folhosas diversas.
Vegetação nos cumes mais elevados e vertentes de ribeiras: formações do tipo mato (urzais, carquejais, tojais e giestais).
Fauna
Aves: interessante sob o ponto de vista dos habitats: ribeiros de montanha, bosques mistos, hortas e prados junto às aldeias. Melro-d’água, dom-fafe, petinha dos campos, aves de rapina (açor, gavião, águia-de-asa-redonda), corujas, mochos, peneireiros-de-dorso-malhado.
Mamíferos: o melhor período do dia para a sua observação é o nascer ou o pôr do sol.
Pequeno porte: doninha, gineto, raposa, lontra, coelho, lebre.
Grande porte: javali, corso, veado.
Anfíbios: podem ser encontradas sob a vegetação, no solo húmido, nos locais mais sombrios. Salamandra lusitânica, rã, rela, trintão.
Répteis: classe indispensável aos ecossistemas existentes. Hibernam no Inverno e podem ver-se ao sol nos dias mais quentes. Cobra-bastarda, cágado, lagartixa, sardanisca , osga, víbora-cornuda, lagarto-de-água.


