"Para a maioria da pessoas, a Gastronomia - aquilo a que na linguagem comum chamamos "Culinária" - não passa de uma simples arte de bem cozinhar, de bem confeccionar saborosos pitéus para gozo das mais variados paladares e sobretudo, de todos nós. Apesar da Gastronomia ser tudo isto encerra, em si mesma, outros aspectos de interesse e outros valores.
É que a Gastronomia é um importante elemento da Cultura, da Cultura entendida não como um mero conjunto de conhecimentos gerais mas sim como o conjunto de tudo aquilo que um "Grupo" ou um indivíduo herdam do passado."
Prof. Tomaz Ribas Director do Gabinete de Etnografia do INATEL
"De facto há uma coisa muito interessante que é uma modificação deste comer simples e do povo e que é engraçado que os Lousanenses não esqueceram - "os aferventados". Que é uma ligeira modificação desta velha técnica do comer e modificar o sabor das couves, do pão, da batatita, do que tem próximo, do que tem à mão e naturalamente regado com o azeite. A velha gordura Mediterrânica de que esta região é rica. Seria, creio onde uma culinária popular, desta região, teria a sua matriz. O resto é de influência, é transcultural."
Dr. Louzã Henriques
Nos tempos mais antigos, teve a castanha um papel preponderante na alimentação do povo da Lousã, assim como as hortaliças, caça, alguns produtos de animais domésticos, juntamente com pão e trigo e centeio. Depois vieram o milho e a carne de açougue, e mais tarde a batata, arroz e peixe seco (bacalhau e outros), o peixe de água doce - truta e bogas desde há muito são utilizados uma vez que estavam acessíveis no rio Arouce ou mesmo no Ceira.
Gastava-se uma maior quantidade de azeite, mas relativamente pouco vinho. O arroz doce nunca falta nos casamentos, com belos desenhos e letras bordadas com canela. Nos últimos tempos do século XIX a alimentação da maior parte dos lousanenses resumia-se ainda à broa (em geral de milho amarelo, moido nas muitas azenhas espalhadas ao longo dos rios e levadas), hortaliças (couves e nabos), batatas, feijão, arroz, sardinha, azeitonas e bacalhau (sobretudo na Quaresma). Só em dias de festa é que comiam carnes e têmpero de carne de porco. As sopas em geral continham pouco caldo, ou eram quase secas, eram postas sobre broa esfarelada e abundantemente regada com azeite no prato.
As sopas típicas são feitas com nabos e respectivas cabeças cortadas às rodelas finas.
- Os cozinhados mais célebres e típicos são:
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- MIGAS OU "AFERVENTADO"
- CHANFANA
- CABRITO GRELHADO
- TIBORNADA NO LAGAR
- SARDINHA ALBARDADA
- TIJELADA LOUSANENSE
Outros pratos ficaram também na nossa memória e que poderão, caso esteja interessado, ser confeccionados a partir da consulta do livro "Roteiro de Gastronomia".
"No dia em que se fazia aguardente, convidavam-se os amigos e oferecia-se a ceia (que era a tibornada). Assim se ia conversando e provando a aguardente pela noite fora, enquanto faziam companhia ao dono na "lambicada".
Também era uso fazer a tibornada por altura da apanha da azeitona e quando se fazia o azeite no lagar. Este prato era então feito no inverno no período de funcionamento dos lagares. Todos comem do mesmo alguidar ou em pratos individuais, sendo neste caso os lagareiros os primeiros a servirem-se uma vez que foram eles que confeccionaram a refeição. Assim se passava um serão agradável entre amigos."
in "Roteiro de Gastronomia" editado pela Câmara Municipal da Lousã.



